Após dois anos de existência, a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV e Aids finalmente foi formalizada. A Carta de Princípios foi elaborada na semana passada por jovens reunidos em São Paulo (SP). Entre as questões presentes no documento, estão os princípios e a missão da Rede, os quais reafirmam a importância de jovens e adolescentes de serem protagonistas no combate a HIV/aids.
De acordo com Micaela Cyrino, representante da Rede, a ideia foi elaborar um documento que servisse de base para a organização, com objetivos, missão, princípios, e explicasse "para quê que a Rede veio". Além disso, também foi decidido durante o encontro que a Rede será uma organização sem vínculo político-partidário nem religioso.
Apesar de existir há dois anos, Micaela comenta que só agora surgiu a oportunidade dos jovens se reunirem para elaborar a Carta. "Nos encontros nacionais, nunca tínhamos tempo", explica. O documento, que ainda servirá de guia para ações posteriores da Rede, foi elaborado por 20 jovens que, segundo a representante da organização, "foram selecionados por inscrição". A intenção, de acordo com ela, é que em breve a Carta seja divulgada para "todos os contatos da Rede".
Aids entre meninas
A aids já está presente entre os jovens e a preocupação maior, agora, é com as meninas. De acordo com informações do Ministério da Saúde, nos últimos anos, a aids tem comportado-se de forma diferente. Entre adolescentes de 13 a 19 anos, por exemplo, o número de casos é maior entre as garotas. Entre os jovens de 20 a 24 anos, a razão entre os dois gêneros é parecida.
Dados do Ministério revelam que, entre 2000 e junho de 2009, dos 6.161 casos de aids entre adolescentes de 13 a 19 anos, 3.713 foram registrados em meninas e 2.448 em meninos. Entre os jovens de 20 a 24 anos, os números entre mulheres e homens foram parecidos: 13.083 casos entre elas e 13.252 entre os garotos.
Com informações de Agência de Notícias da Aids e Ministério da Saúde
Organizações realizam reunião em Joaquim Nabuco(PE) para discutir ações que contribuam para diminuir sofrimento das populações atingidas pelas cheias
Um grupo de entidades filiadas a Abong (Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais) e uma articulação de mulheres que atuam na Zona da Mata estiveram reunidas na quarta-feira, 07, em Joaquim Nabuco (PE) para discutir ações que contribuam para atenuar a situação dos/as atingidos/as pelas enchentes na região. A ideia é ir além da solidariedade da arrecadação de donativos, pensando estratégias de organização local e regional para que as famílias do campo e da cidade possam ter seus direitos assegurados no processo de reconstrução dos municípios e nas políticas públicas planejadas para a Zona da Mata pernambucana.
Participaram da atividade cerca de 30 pessoas. Entre elas, representantes de organizações e agricultores/as vítimas das enchentes. Durante a reunião, foram feitos diversos relatos sobre a situação em que se encontram os municípios atingidos, por pessoas que estão vivenciando o drama que se instalou na região. Em cada palavra muitas lágrimas, muita tristeza e emoção, além da perplexidade diante de algumas atitudes nada solidárias e humanitárias, como é o caso do uso de favoritismo na hora da distribuição dos donativos.
O quadro apresentado é preocupante. Os municípios estão com dificuldades na organização dos cadastros das pessoas atingidas pelas enchentes, tanto as que tiveram suas casas destruídas como as que ainda têm as casas, mas perderam todos os seus pertences. As informações não circulam e muitas das secretarias municipais de assistência social não estão desempenhando devidamente o seu papel no acompanhamento das famílias.Isso tem dificultado a entrega dos donativos nas áreas urbana e rural.
Já as famílias que se encontram nos abrigos conseguem receber alimentos e roupas, entretanto ainda faltam colchões, toalhas e lençóis. As pessoas que estão alojadas em casas de amigos e familiares estão recebendo pouca ou nenhuma assistência. O problema da saúde é preocupante. Em Água Preta já aconteceram três casos de morte por leptospirose, sendo um deles o de um agente de saúde. As pessoas estão preocupadas porque alguns municípios não estão fazendo vacinação e distribuindo os materiais necessários para proteção. O risco de epidemias é grande.
Na área rural, o drama ainda é maior, porque os gestores públicos ainda não fizeram um levantamento dos atingidos. Há falta de comunicação entre o campo e a cidade. Os acessos estão prejudicados e muitas famílias estão praticamente isoladas. No Engenho São João da Prata, em Palmares, há 120 famílias i soladas, porquea ponte caiu e a única forma de acesso é via jangada ou pequeno barco. Esta dificuldade afeta a entrega de alimentos e outros materiais necessários para as famílias, pois as cestas básicas que são levadas para lá nunca é na quantidade do número de famílias existentes no engenho.
Encaminhamentos: o Articulação de organizações discutiu com os/as presentes as ações de urgências paraminorar a situação das famílias neste momento. Alguns projetos estão sendo encaminhados para arrecadar fundos para a compra de equipamentos de segurança, limpeza e de higiene, colchões, lençóis e toalhas, que são os itens de maior necessidade. Também foram formados grupos de trabalho para levantar asdiferentes denúncias apresentadas, além debuscar o diálogo com os gestores públicos para discutir os diversos problemas que vem atingido as populações vítimas das enchentes. A preocupação é de acompanhar todos os processos dereorganização dos municípios a curto, médio e longos prazos, objetivando interagir na busca de soluções para o caos que se formou na região da Mata Sul Pernambucana.
Na ocasião, integrantes da Rede em Defesa dos Direitos Humanos das Mulheres da Mata Norte e Centro eda Articulação de Mulheres da Mata Sul divulgaram uma Nota Pública intitulada “Realidades e Contextos SEMPRE Desiguais e Desafiadores – na qual questionam os governos sobre as etapas do processo de “reconstrução”. Sobre como a sociedade civil será escutada.
Alguns depoimentos:
“A cidade está de uma forma que parece que jogaram uma bomba. Muitas pessoas ainda estão dormindo no chão. Existem famílias com até dez pessoas que só receberam um colchão. O desespero leva as pessoas a fazer confusão na hora que chegam os donativos. Estamos vivendo com medo de pegar doenças, sem vacinas. Quem perdeu suas casas, que eram alugadas, agora, não terá condições de alugar outra porque os preços estão muito altos. Também não existem casas suficientes no município” - Edvânia Maria Lima, de Água Preta.
“É urgente que engenheiros e arquitetos avaliem a situação de algumas casas na cidade. Elas estão ameaçadas de cair e as pessoas estão dentro delas. Outro grande problema é que na entrega dos donativos há muito apadrinhamento. Não há medicamentos. E para completar, pessoas que querem roubar o que restou dentro das casas espalham pela cidade alarmes falsos de que a barragem estourou, causando desespero. Existem homens e mulheres com problemas de coração que já morreram por causa disso” –Diana Eugênia, Palmares.
“Lá, caíram 30 casas. Por sorte, ninguém morreu. A gente (ela, marido e filho) tá dormindo no lugar que a gente criava as galinhas. Sei que as galinhas também queriam proteger os pintinhos delas, como eu queria proteger o meu filho, mas não teve jeito de deixar elas ficarem lá. Perdi toda a minha horta. Eu fazia farinha, mas hoje não tenho como fazer nem como vender. Não sei o que vai ser da gente. Esses dias dei uma bolsa de leite que ganhei para uma mulher que tinha um filho pequeno. O meu filho já é um pouco grande e ela precisava mais do que eu. Eu não sei como recomeçar. O pouco que tenho é do Bolsa Familia e de um pouco de goma que consegui vender. Lá, a gente não tem nem hospital, nem vacina. As cestas que chegam não dão para a quantidade de famílias que existe no assentamento” - Rosemira de Lima – Assentamento São João da Prata.
“É difícil você vê tudo o que foi construído, durante toda a sua vida, acabar em um dia. Porém, acredito que vou sair desse ‘fenômeno natural’, ou melhor, nada normal, cheia de força. Acredito, sim, que sairei dessa situação para criar meus filhos, ajudar minha mãe, a minha família e contribuir com a transformação da sociedade” – Cristiane Maria Maciel Gomes – Água Preta.
Comissão do PNUD e do UNAIDS avaliará casos de vários países para verificar como legislação pode ajudar ou dificultar controle da doença
UNAIDS/G. Pirozzi
O PNUD e o UNAIDS (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre Aids) formaram uma comissão que vai estudar a relação entre legislação e combate ao vírus HIV. O objetivo da Comissão Global sobre HIV e Lei é aprofundar a compreensão sobre como a legislação pode ajudar ou mesmo dificultar o controle da enfermidade, que ainda é a principal causa de morte por doença infecciosa no mundo, de acordo com o Relatório 2010 dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
Para tanto, o grupo terá a participação de especialistas em políticas públicas, direitos humanos e legislação de várias partes do mundo. Eles vão dar suas opiniões a respeito do assunto e também ouvir as comunidades de imunodeficientes de vários países para saber como a legislação pode oferecer melhores condições de prevenção e tratamento. “Há muito foi reconhecido que as leis são uma parte crítica de qualquer tipo de resposta ao HIV, seja no aspecto formal, na aplicação da lei ou no acesso à Justiça”, afirma uma nota do PNUD sobre o assunto. “Tudo isso pode ajudar a determinar se as pessoas que vivem com o HIV ou são afetadas por ele podem ter acesso aos serviços, protegeram a si mesmo, e viverem vidas completas com dignidade”.
Cerca de 30 anos após o início da epidemia, cerca de 4 milhões de pessoas estão recebendo tratamento. Uma redução de 17% no número de novas infecções entre 2001 e 2008 sugere que a epidemia já tenha ultrapassado seu ponto mais alto. No entanto, o PNUD estima que 106 países ainda tenham em sua legislação algum tipo de obstáculo para a prevenção e o tratamento da doença. Há casos em que a lei criminaliza os soropositivos, desencorajando as pessoas a fazerem o exame, o que pode elevar o número de infectados. A criminalização de homossexuais, usuários de droga e da prostituição desprotege a proteção de grupos com alto risco de contração da doença. Em alguns países, leis que falham em proteger mulheres do estupro dentro e fora do casamento aumentam a vulnerabilidade delas ao HIV.
Por outro lado, há inúmeros exemplos de como a lei pode contribuir positivamente para a vida dessas pessoas, como direito universal ao tratamento, a proibição da discriminação aos soropositivos no trabalho, na escola e no serviço militar.
Os trabalhos da comissão durarão 18 meses. As recomendações do grupo serão anunciadas em dezembro de 2011.
Nos dias 7 e 8 de julho, o cartunista indiano Sharad Sharma promove pela primeira vez o curso de quadrinhos Word Comics no GTP+, em Recife (PE). Cerca de 20 participantes de projetos do GTP+, e ativistas de movimentos sociais, irão aprender a utilizar histórias em quadrinhos como forma de mobilização social e política. As inscrições podem ser realizadas na Instituição.
Nascido em Rajasthan, na Índia, Sharad é empreendedor social da Ashoka e viaja por alguns países ensinando o método Comics Power (Poder dos Quadrinhos), criado com a intenção de informar pessoas com pouca instrução de ensino.
Conheça mais sobre o trabalho de Sharad Sharma visitando o site oficial (em inglês):www.worldcomicsindia.com
Serviço:
Oficina: Sua Luta em Quadrinhos
Dias: 07 e 08 de Julho
Hora: 9h – 16h
Valor da Inscrição: R$ 15,00 + 2 Kg de alimentos não-perecível, com direito a almoço e lanche nos dois dias.
Pode ser feita pelo telefone: 81. 3231.0905 ou pelo e-mail: emanuela@gtp.org.br
Produzida por organizações da sociedade civil pertencentes à ABONG, Articulação AIDS Pernambuco, Articulação de Entidade da Zona da Mata , Fórum de Mulheres de Pernambuco e Fórum Estadual da Reforma Urbana sobre as enchentes ocorridas no estado. Essas organizações estão trabalhando conjuntamente tanto nas questões emergenciais relativas ao atendimento às vítimas, com doações de materiais de segurança, roupas, alimentos etc; como pretendem abrir um diálogo político sobre as causas e conseqüências desta tragédia.
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Dez anos atrás, as populações da Zona da Mata de Pernambuco sofreram com enchentes que destruíram casas, comércio, plantações, prédios públicos, ruas, caminhos. Ações emergenciais e de reconstrução foram feitas. Assim, tudo voltou ao seu lugar.
Dez anos depois, as chuvas do inverno nordestino provocaram enchentes em proporções infinitamente mais devastadoras do que em 2000. Uma tragédia da natureza? Não. Uma catástrofe social, política, econômica e ambiental. Uma catástrofe nem um pouco natural.
Os números, ainda imprecisos e incompletos, nos dão a dimensão do que deixou de ser feito, do que continua a se perpetuar por muito tempo. A cidade de Barreiros, na Zona da Mata de Pernambuco tem 68, 3% de sua população desabrigada. Água Preta, na mesma área, tem 41,4% de população desabrigada. Em Murici, no estado de Alagoas, o percentual é de 55,7%.
Olhar esses números nos provoca estarrecimento. Ser parte desses números significa um sofrimento intenso, sofrimento que atravessa todas as dimensões do tempo: passado, presente e futuro. E, para nós, é na perspectiva dessas milhares e milhares de pessoas que devemos analisar, entender e construir estratégias políticas de atuação emergencial e de incidência política para que nada volte ao lugar de sempre, marcado por precariedade, exclusão e ausência de direitos.
Sabemos que o que causou uma tragédia de tão grande proporção foi a ausência de políticas estruturadoras como, por exemplo, planos de habitação e regularização fundiária para áreas urbanas e rurais; políticas de saneamento ambiental , onde estejam incluídas as dimensões de esgotamento sanitário, drenagem, coleta regular e efetiva do lixo; políticas econômicas e de trabalho que eliminem a precariedade das/ os trabalhadoras/es vinculadas/ os à indústria da cana de açúcar; reforma agrária em seu sentido pleno.
É a ausência dessas políticas que tem afetado, inclusive, as ações emergenciais realizadas tanto pelo estado, quanto pela sociedade civil em que pesem os esforços que estão sendo realizados. As precárias condições das estradas e, em especial, o acesso as áreas rurais fazem com que não se tenha nem informações precisas do que se passa com essas populações e impeçam a chegada das doações. Muitas localidades ainda não têm a energia elétrica restabelecida. A limpeza das vias públicas se dá de modo muito lento, dada a insuficiência de equipamentos e pessoal. Os abrigos públicos, geralmente em locais inadequados, não podem receber mais ninguém, o que faz com que muitas pessoas estejam abrigadas em casas de parentes e amigos/as. Dessa forma, há o risco de uma responsabilidade pública se transformar em uma questão privada.
A situação de saúde dessas populações se encontra vulnerabilizada, não só em função das enfermidades e epidemias típicas de momentos como este, mas também dos riscos de agravamento de doenças crônicas, dado que, em muitas situações, é impossível ter acesso aos medicamentos necessários via rede pública de saúde porque essas estão com suas estruturas destruídas ou comprometidas.
As escolas que não foram destruídas servem de abrigo, o que significa a impossibilidade de retorno das /dos estudantes às escolas, o que afeta não apenas seus aprendizados, mas também significa vulnerabilidade nutricional, já que, para muitas famílias, a alimentação fornecida pela escola é a garantia de alimento diário para as crianças e adolescentes.
A situação econômica dessas populações se já era bastante grave, torna-se absolutamente caótica. Isso porque tanto agricultura familiar perdeu grande parte ou a totalidade da sua produção, como as mulheres e homens que trabalhavam penosa e precariamente na cana de açúcar não têm mais onde trabalhar, pois várias usinas da região foram também afetadas fortemente pelas enchentes. O comércio dessas cidades é praticamente inexistente e antes das enchentes era, em sua maioria, informal. Ou seja, a maioria da população atingida pelas enchentes não tem nenhum FGTS para sacar, em que pese a liberação feita pelo governo federal.
Não podemos esquecer que se essa tragédia afeta toda a população dessas cidades, são as mulheres que recebem seus mais fortes impactos, pois, dada a divisão sexual do trabalho que marca a nossa sociedade, são elas as responsáveis pela alimentação, cuidado com a saúde, limpeza, atenção às crianças e idosos/as. Sabemos que os homens em várias dessas localidades começam a migrar para outros locais em busca de alguma condição de existência, deixando para trás as mulheres em situações de crua existência.
Fazemos essas considerações por termos a convicção política que não é possível tratar a tragédia que se abate sobre os estados de Pernambuco e Alagoas como sendo algo da ordem da natureza e que se divide em etapas de emergência e reconstrução, como se fosse possível que tudo possa voltar ao mesmo lugar; como se a emergência ficasse restrita as horas em que a chuva cai, os rios enchem, as pessoas se desabrigam, a sociedade se mobiliza com doações e o Estado distribui e limpa e cria políticas emergenciais. E ai, depois desse momento, quase sempre breve - o tempo em que duram as manchetes de jornais - a vida volta ao normal em sua reconstrução.
Para nós, as urgências dessas populações existem há muito mais do que 10 dias ou 10 anos. São mulheres e homens que vivem seus cotidianos em estado de emergência há muito tempo. O momento da reconstrução só fará sentido humano se suas ações alterarem radicalmente as condições de vida dessas pessoas e as nossas condições de vida. Isso porque essa é uma tragédia que diz respeito a todas e todos. É um problema nosso.
É preciso compreender que não há exatamente o que reconstruir. Não é um recomeço porque as pessoas perderam não apenas bens materiais, os parcos bens materiais que duramente conquistaram. As pessoas perderam suas histórias, seus trajetos, lembranças, memórias, referências. Não há lugar para voltar. É preciso, portanto, começar de novo, criar novos lugares, criar outras condições de existência, possibilitar não vidas cruas, mas vidas dignas.
Essa é a nossa luta e o nosso compromisso. Esse é o sentido das ações políticas que estamos fazendo, tanto no plano das ações diretas, junto às populações, quanto e especialmente na ação dirigida ao Estado. O que foi perdido não volta, mas sabemos que ação política comprometida com a igualdade e a dignidade para todos e todas é o único caminho para possibilitar a essas mulheres e homens horizontes e futuros.