quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

ONUAIDS chama países a revisarem ações para chegarem ao acesso universal

Com o intuito de impelir os países a avançarem nas ações de tratamento, prevenção, atenção e apoio e fazerem um balanço do que foi realizado, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Aids (ONUAIDS) está solicitando que cada país avalie seus progressos e defina as dificuldades a serem superadas para que sejam alcançados os objetivos nacionais de acesso universal.
O convite foi feito a todos os países por Michel Sidibé, diretor executivo da ONUAIDS, quando em visita oficial a Botswana, na África. O diretor elogiou os avanços do país, que conseguiu ofertar tratamento antirretroviral a mais de 80% das pessoas que precisam. O país também foi lembrado por ter redobrado esforços na prevenção da transmissão materno-infantil e por ser um dos primeiros na África a adotar os objetivos para o acesso universal.
"O acesso universal à prevenção, ao tratamento, à atenção e ao apoio relacionados com o HIV consiste em conseguir a igualdade. É um movimento mundial que está salvando milhares de vidas", assinalou Sidibé. Na ocasião, o diretor executivo também lembrou que, pela desigualdade na evolução dos países, deve ser feito um balanço a fim de compreender quais ações estão sendo concretas e quais não estão funcionando.
Com o apoio da ONU, todos os países deverão iniciar o processo de consulta com governos, organizações não governamentais, movimentos de pessoas que vivem com HIV/Aids, grupos comunitários e com a sociedade civil. Após a realização das consultas mundiais, os dados gerados serão unidos em relatórios de progressos nacionais de 2010 e servirão de apoio para identificar os avanços e desafios e assim tentar atingir os objetivos do ano.
Feito isso, o próximo passo da ONUAIDS será organizar uma equipe que investigará todos os relatórios e fará recomendações para que cada país, de acordo com suas características e dificuldades, defina prioridades e avance rumo ao acesso universal. O resultado esperado após a consulta e comparação é que as ações de prevenção sejam intensificadas até que não se contabilize pessoas infeccionadas com HIV. A análise caso a caso também deverá orientar os países a reajustarem seus planos de acesso ao tratamento e a gerarem novas opções de tratamento.
Antes que sejam sugeridos avanços, as situações de desigualdade na evolução de cada país devem ser levadas em consideração. No caso do Brasil, o acesso ao tratamento ainda é deficiente se comparado com outras nações.
"O governo brasileiro não está tão ativo como nós esperávamos. Um processo que deveria ser dinâmico e eficaz está cheio de carências. As ações de prevenção são fracas assim como o cuidado com as pessoas que já vivem com HIV/Aids. Trazendo para a realidade de Pernambuco, temos dificuldade para marcar uma consulta, faltam médicos infectologistas e os hospitais de referência não tem mais capacidade para receber pacientes", esclarece Roberto Brito, Presidente da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP) de Pernambuco.
No ano de 2009, os estados membros das Nações Unidas firmaram, por meio de uma declaração, o compromisso com o acesso universal. Isso quer dizer que há um compromisso com a ação de fazer chegar à população de cada país, até 2010, iniciativas concretas e eficazes de prevenção, tratamento, atenção e apoio relacionadas com o HIV. Cada nação definiu metas e terá que cumpri-las para que o objetivo maior, o acesso universal, seja alcançado.

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